Thor: Amor e Trovão

Thor: Amor e Trovão – Uma Montanha-Russa Cósmica com Aterrissagem Contestada

Três anos se passaram desde que assisti a Thor: Amor e Trovão nos cinemas (em 07/07/2022, para ser preciso), e a experiência continua a me assombrar, não por sua grandiosidade visual – que é inegável – mas pela sua estranha mistura de genialidade e desatino. O filme, dirigido por Taika Waititi, nos apresenta Thor em uma jornada de autodescoberta, interrompida pela ameaça de Gorr, o Carniceiro dos Deuses, um vilão com uma motivação surpreendentemente pungente. Para confrontar essa ameaça, Thor reúne um improvável grupo de aliados, incluindo a Poderosa Thor, interpretada por uma Natalie Portman que rouba a cena.

A direção de Waititi é, como sempre, uma força da natureza. Ele equilibra o humor, a ação e o drama com um toque único e inconfundível, imprimindo sua assinatura visual vibrante e saturada de cores em cada quadro. A trilha sonora, por sua vez, acompanha perfeitamente a montanha-russa emocional da narrativa, acentuando os momentos de humor e os instantes de pura emoção. Porém, é nesse equilíbrio que residem também as maiores falhas do longa-metragem.

O roteiro, co-escrito pelo próprio Waititi e Jennifer Kaytin Robinson, oscila entre momentos de pura inspiração e outros de uma comédia pastelão desnecessária e, em alguns casos, até ofensiva. Há piadas que funcionam, há piadas que caem no vazio, e há piadas que simplesmente não deveriam ter existido. Esse tom inconsistente atrapalha a imersão na história, que por vezes parece se perder em uma sucessão de gags que distraem da trama principal.

Atributo Detalhe
Diretor Taika Waititi
Roteiristas Taika Waititi, Jennifer Kaytin Robinson
Produtores Brad Winderbaum, Kevin Feige
Elenco Principal Chris Hemsworth, Natalie Portman, Christian Bale, Tessa Thompson, Taika Waititi
Gênero Fantasia, Ação, Comédia
Ano de Lançamento 2022
Produtoras Marvel Studios, Kevin Feige Productions

As atuações, no entanto, são impecáveis. Chris Hemsworth, mais maduro e reflexivo, apresenta um Thor que transita com maestria entre a comédia e a profundidade emocional. A Natalie Portman entrega uma performance surpreendente como Jane Foster/Poderosa Thor, uma heroína vulnerável, mas poderosa, que carrega o peso de uma luta interna. Christian Bale, por sua vez, interpreta um Gorr memorável, um vilão convincente que justifica suas ações, ao contrário de muitos antagonistas genéricos do MCU. Tessa Thompson e Taika Waititi (como Korg) seguram o barco com suas performances carismáticas, garantindo o lado cômico mais acertado do filme.

A força de Thor: Amor e Trovão está nos momentos de vulnerabilidade de seus personagens, na jornada de autoaceitação e no tema da perda que permeia a narrativa. A relação entre Thor e Jane é o coração pulsante do filme, repleta de nostalgia e um toque de melancolia. Entretanto, a tentativa de equilibrar tantas subtramas, personagens e elementos de humor em uma trama já por si complexa resulta em uma narrativa fragmentada, com uma resolução apressada e um pouco sem graça.

O filme se entrega a uma estética exagerada e às vezes infantilizada que, embora tenha seu charme, acaba por ofuscar a profundidade dos temas que busca explorar. A mitologia nórdica é empregada de forma quase superficial, sendo mais um pano de fundo colorido do que um elemento central e consistente da trama.

Em resumo, Thor: Amor e Trovão é um filme desigual. É um passeio divertido, cheio de momentos brilhantes e performances excepcionais. Mas é também um filme que se perde em seus próprios excessos, deixando um gosto de “poderia ter sido melhor”. Recomendo-o para fãs do MCU que apreciam uma boa dose de comédia e ação, mas aviso desde já: prepare-se para uma montanha-russa com aterrissagem contestada. Sua experiência poderá variar dramaticamente dependendo de sua tolerância a um humor um tanto errático. A avaliação final? Um 6,5/10, considerando a experiência como um todo. Ele está disponível em diversas plataformas digitais, caso você queira conferir por si mesmo e formar sua própria opinião.

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