Esqueceram de me avisar que Tiros, Garotas e Trapaças era um filme cult, ou pelo menos, deveria ser. Lançado em 2012 e chegando ao Brasil em 28 de março de 2013, este longa-metragem – uma mistura explosiva de crime, faroeste e comédia – é um daqueles filmes que você não consegue tirar da cabeça. Doze anos depois, assistindo-o novamente em uma plataforma de streaming, a sensação é a mesma: um delicioso caos cinematográfico.
A trama gira em torno do roubo de um artefato inestimável durante um jogo de pôquer em um cassino indígena. A partir daí, somos jogados em uma frenética perseguição com um elenco de personagens excêntricos e memoráveis: um Elvis imitador (com uma performance memorável de Chris Kattan), um xerife corrupto (Dane Cook), cowboys, índios, e um assassino loiro de dois metros. Christian Slater, como o protagonista John Smith, e Powers Boothe, como o misterioso Rancher, ancoram a narrativa com suas performances sólidas, dando um ar de seriedade ao que, muitas vezes, beira o absurdo.
Michael Winnick, diretor e roteirista, optou por um estilo visual que lembra os filmes B dos anos 70, com uma fotografia um tanto granulada e uma estética propositalmente crua. Isso funciona muito bem para criar o clima de suspense e, ao mesmo tempo, destacar o humor peculiar do roteiro. A direção é segura e competente, sabendo equilibrar as cenas de ação com momentos de comédia e drama, sem nunca perder o controle da narrativa, mesmo com a quantidade considerável de personagens. O roteiro, por sua vez, embora um tanto previsível em alguns momentos, surpreende com algumas reviravoltas que mantêm o espectador engajado até o final.
O elenco, como um todo, está ótimo. Slater e Boothe são os pesos-pesados, entregando atuações consistentes e cativantes. Cook, como o corrupto Sheriff Hutchins, rouba a cena com sua interpretação caricata e divertida, sendo uma das maiores fontes de humor negro do filme. Jeff Fahey, como o cowboy, e Kattan, como o Elvis, completam o elenco, adicionando uma camada extra de excentricidade à história. No entanto, as atuações de alguns personagens secundários poderiam ter sido mais bem trabalhadas, conferindo uma maior profundidade à trama.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Michael Winnick |
| Roteirista | Michael Winnick |
| Produtores | Michael Winnick, Henry Boger |
| Elenco Principal | Christian Slater, Powers Boothe, Dane Cook, Jeff Fahey, Chris Kattan |
| Gênero | Crime, Thriller |
| Ano de Lançamento | 2012 |
| Produtoras | Incognito Pictures, Freefall Films, Hollywood Sky Entertainment, Releaseme Productions |
Entre os pontos fortes de Tiros, Garotas e Trapaças, destaco o ritmo frenético da narrativa, que te mantém grudado na tela. A atmosfera, misturando humor negro com suspense, é cativante e original. A química entre os atores também merece destaque, principalmente a dinâmica entre Slater e Boothe, que consegue ser ao mesmo tempo tensa e divertida. Por outro lado, alguns diálogos podem parecer um tanto forçados e o desenvolvimento de alguns personagens poderia ter sido mais aprofundado. O filme, apesar de sua diversão, peca em alguns detalhes, e alguns personagens acabam se perdendo na avalanche de eventos.
A mensagem do filme é um pouco ambígua, mas, para mim, fala sobre a natureza humana e a corrupção. O jogo de pôquer, o artefato roubado, são apenas elementos da trama que giram em torno da busca por poder, ganância e sobrevivência em um ambiente árido e implacável. A própria mistura de gêneros – o faroeste, o filme de crime e o thriller – pode ser interpretada como um reflexo desse contexto caótico e sem regras.
Em resumo, Tiros, Garotas e Trapaças é um filme divertido e, em muitos aspectos, surpreendente. Se você gosta de filmes B, com personagens excêntricos, reviravoltas inesperadas e um ritmo ágil, este é um filme que vale muito a pena assistir. Não espere uma obra-prima cinematográfica, mas certamente terá um entretenimento garantido. Recomendo especialmente a quem procura algo diferente do padrão Hollywood, uma experiência cinematográfica peculiar e memorável. No entanto, não recomendo a quem busca uma trama profunda e complexa, com personagens amplamente desenvolvidos. Acho que o filme se sustenta como um entretenimento puro e simples, e, nesse aspecto, cumpre sua função perfeitamente.




