Ah, Tom e Jerry. Existe algo mais intrínseco à nossa memória afetiva do que a imagem daquele gato espertalhão, ou nem tanto, sempre atrás do rato astuto, e a consequente sinfonia de panelas, explosões e perseguições que se seguiam? Para mim, a resposta é um sonoro não. Cresci com eles, sabe? As manhãs de sábado, a tigela de cereal, e a certeza de que o caos reinaria na tela da TV. Então, quando soube que em 2022, há uns três anos, eles embarcariam numa aventura no Velho Oeste, minha curiosidade (e um tiquinho de ceticismo, confesso) foi atiçada. Como esses dois, mestres do slapstick urbano, se virariam entre cactos e saloons?
E foi assim que me deparei com Tom & Jerry no Velho Oeste, um filme que, de cara, já te joga numa paisagem completamente diferente do que estamos acostumados. Sai a cozinha suburbana, entra a poeira e o sol a pino do deserto. A ideia é genial, não é? Pegar uma dupla que conhecemos como a palma da mão e transplantá-los para um gênero tão icônico quanto o faroeste. É quase como ver um peixe fora d’água, mas que, de alguma forma inexplicável, começa a nadar como um campeão olímpico na areia.
A trama, meu amigo, é aquele clássico de bom coração: uma vaqueira e seu irmão veem sua propriedade ameaçada por um vilão ganancioso. E quem aparece para ajudar nessa enrascada? Ninguém menos que Tom, o felino azarado, e Jerry, o roedor com mais vidas que um gato – ironia, não? O que me pegou de verdade foi como o diretor Darrell Van Citters conseguiu pegar a essência da rivalidade deles e moldá-la para um bem maior. Eles não se tornam melhores amigos da noite para o dia, longe disso. A camaradagem é acidental, repleta de socos voadores e armadilhas que dão errado, mas que, de alguma forma, sempre acabam desmantelando os planos do malvado August Critchley, brilhantemente dublado por Chris Edgerly, que consegue dar uma voz perfeita a essa figura ardilosa.
Pensa comigo: o Velho Oeste não é só tiroteios e cowboys sérios. É um cenário de oportunidades para o humor físico. As carroças capotando, os duelos transformados em trapalhadas hilárias, a poeira que levanta e revela um Tom disfarçado (mal, é claro) ou um Jerry espiando de dentro de um chapéu de cowboy. A animação da Warner Bros. Animation entrega tudo isso com uma fluidez que honra o legado do estúdio. Cada movimento exagerado, cada expressão caricata do Tom diante de um plano frustrado, tudo é um deleite visual. Eles conseguem manter aquele timing cômico impecável, sabe? Aquele que você sente que faz parte da sua infância, mas com um frescor que o torna relevante para os espectadores de hoje.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Darrell Van Citters |
| Produtores | Ashley Postlewaite, Kimberly S. Moreau, Darrell Van Citters |
| Elenco Principal | George Ackles, Sean Burgos, Trevor Devall, Chris Edgerly, Georgie Kidder |
| Gênero | Animação, Comédia, Família, Faroeste |
| Ano de Lançamento | 2022 |
| Produtora | Warner Bros. Animation |
E o elenco de vozes? Mesmo em um filme onde a ação fala mais alto que as palavras, as performances são cruciais para dar vida aos personagens coadjuvantes que orbitam em torno de Tom e Jerry. George Ackles dá voz ao The Marshal, com aquela autoridade cômica que se espera de um xerife de desenho animado. Sean Burgos, como Bumpy, e Trevor Devall, como Duke, contribuem para o colorido da paisagem humana (ou animal, ou criatural) do Oeste, criando personagens que são memoráveis em suas pequenas aparições. E Georgie Kidder, no papel de Scruffy, adiciona uma camada de inocência e urgência à trama que nos faz torcer ainda mais pelo sucesso da dupla improvável.
O que eu realmente aprecio em Tom & Jerry no Velho Oeste é a maneira como ele não tenta reinventar a roda, mas sim colocá-la em um terreno diferente. Não é um filme que busca ser profundo ou filosófico. Ele quer te fazer rir, te fazer lembrar daquela alegria simples de assistir a um gato e um rato se perseguindo em cenários cada vez mais absurdos. E, nesse aspecto, ele acerta em cheio. É uma viagem nostálgica para quem cresceu com eles, e uma porta de entrada divertida para as novas gerações que talvez ainda não conheçam a magia do slapstick puro.
Lançado aqui no Brasil em junho de 2022, este filme serve como um lembrete caloroso de que algumas coisas são atemporais. A necessidade de rir, a beleza de uma perseguição bem coreografada, e a ideia de que, às vezes, até os piores inimigos podem encontrar um terreno comum quando há algo maior em jogo. Não é apenas uma animação; é um pedaço da nossa história afetiva que se reinventa sem perder a alma. E isso, para mim, vale ouro no Velho Oeste ou em qualquer outro lugar. Uma aventura que, de tão divertida, me faz desejar que Tom e Jerry continuem desbravando novos gêneros e paisagens por muitos e muitos anos. Porque, vamos ser sinceros, o mundo é um lugar melhor com eles por perto, causando aquela boa e velha confusão.




