Traída pela Madrinha: Um Thriller que te prende (mas poderia ter sido melhor)
Confesso, quando vi a sinopse de “Traída pela Madrinha” pela primeira vez, lá em 2022, achei que seria mais um filme de casamento genérico, daqueles que vemos aos montes nas plataformas de streaming. Engraçado como às vezes os clichês nos surpreendem. Apesar de seguir a fórmula básica de mistério com pitadas de drama e thriller, este longa-metragem dirigido por Joey Lauren Adams conseguiu me fisgar de um jeito que não esperava. A trama gira em torno de Katie (Ashley Dakin), uma noiva prestes a se casar, que começa a suspeitar que sua melhor amiga e madrinha de casamento, Amanda (Shana Goodman), está tramando algo contra ela. O suspense vai crescendo, enquanto as relações entre a noiva, o noivo, Tom (Steven He O”Byrne), e as madrinhas, Connie (Meghan Perry) e Heather (Cassie Brown), se tornam cada vez mais tensas.
A direção de Joey Lauren Adams é competente, mantendo um ritmo que prende o espectador, mesmo que alguns momentos se prolonguem desnecessariamente. A câmera oscila entre closes que revelam as emoções dos personagens e planos mais amplos que pintam o cenário de crescente paranoia. A escolha estética não é revolucionária, mas cumpre o seu propósito. O roteiro de Jessica Morris, entretanto, é onde o filme encontra seus maiores problemas. Há momentos de brilho, com diálogos afiados e reviravoltas interessantes, mas a narrativa se perde em alguns detalhes e a construção de certos personagens poderia ter sido mais elaborada. A motivação de Amanda, por exemplo, embora revelada, ainda deixa um gostinho de “poderia ter sido melhor explorado”. O clímax, apesar de emocionante, acaba sendo um pouco previsível para quem já está habituado a esse tipo de produção.
No quesito atuações, Ashley Dakin carrega nas costas o peso da protagonista, e o faz com desenvoltura. Sua Katie consegue transmitir com maestria a fragilidade e a força necessárias para o papel. Shana Goodman, como a enigmática Amanda, também entrega uma performance sólida, embora seu personagem pudesse ter sido mais complexo. O resto do elenco cumpre seu papel, mas não brilha de forma extraordinária.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretora | Joey Lauren Adams |
| Roteirista | Jessica Morris |
| Produtores | Justin Jones, Brian Vilim, Andreas Olavarria, Zeus Zamani |
| Elenco Principal | Ashley Dakin, Steven He O'Byrne, Shana Goodman, Meghan Perry, Cassie Brown |
| Gênero | Cinema TV, Mistério, Thriller, Drama |
| Ano de Lançamento | 2022 |
| Produtoras | MarVista Entertainment, Bossa Nova Productions, Thriller Films, A.R.I. Studios |
Os pontos fortes do filme residem na atmosfera tensa que consegue criar e na crescente sensação de desconforto que acompanha a noiva em sua jornada. O espectador se encontra imerso na dúvida, questionando as intenções de cada personagem. A exploração da inveja feminina, um tema central da trama, é eficiente, embora superficial em alguns pontos. Já os pontos fracos, como mencionei, estão na previsibilidade da trama em certos momentos e no desenvolvimento superficial de alguns personagens secundários. O filme aborda temas interessantes sobre amizade, traição e a pressão social em casamentos, mas poderia ter mergulhado mais a fundo nessas questões.
Em 2025, olhando para trás, “Traída pela Madrinha” se destaca como uma opção razoável para uma noite de entretenimento leve. Não é um filme que vai mudar sua vida ou redefinir o gênero thriller, mas consegue prender a atenção e proporcionar alguns sustos. Recomendo para quem aprecia filmes de suspense com uma pitada de drama, mas que não busca complexidade narrativa extraordinária. Se você está à procura de algo mais profundo e inovador, talvez seja melhor procurar outras opções. A disponibilidade em plataformas de streaming facilita o acesso, e se você o encontrar, pode ser uma boa pedida para uma sessão despretensiosa. Afinal, às vezes, um filme que cumpre sua função de entretenimento sem pretensões é exatamente o que precisamos.




