Tremendo! Treinamento Brutal, um soco no estômago que chega três anos depois de seu lançamento em 2022, é uma experiência cinematográfica que me deixou, digamos, profundamente dividido. Não se trata de um filme impecável, longe disso, mas sua força bruta, sua honestidade quase crua na abordagem da violência e da redenção, o tornam uma experiência memorável – mesmo que tenha alguns defeitos gritantes.
A sinopse, para quem ainda não se deparou com essa obra, é simples: Bryant, em busca de um novo começo, se muda para uma cidadezinha pacata, onde encontra um jovem e se torna seu mentor. A paz, porém, é uma ilusão efêmera. Seu passado sombrio o alcança, e ele é forçado a uma luta de sobrevivência.
A direção de R. Ellis Frazier é funcional. Ele entrega a ação com a violência explícita que o gênero exige, mas falta-lhe, talvez, uma sutileza maior na construção da atmosfera. Há momentos em que a câmera se torna um pouco passiva, deixando a narrativa escorrer, em vez de moldá-la. No entanto, Frazier não comete erros graves, entregando cenas de luta bem coreografadas e impactantes, graças, em parte, ao talento de Michael Jai White como ator e roteirista.
Falando em Michael Jai White, o homem é um furacão. Sua atuação como Bryant é visceral, repleta de uma força contida que explode em momentos de pura raiva e ação. Ele consegue transparecer a angústia do passado e a busca por redenção com uma naturalidade que admiro. Tom Berenger, como o antagonista Sonny Kilbane, entrega uma performance sólida, embora seu papel seja, por vezes, unidimensional. Os demais atores cumprem seus papeis sem brilhar de forma extraordinária.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | R. Ellis Frazier |
| Roteirista | Michael Jai White |
| Produtores | Marc Clebanoff, Geoffrey Ross, Justin Nesbitt, Michael Jai White |
| Elenco Principal | Tom Berenger, Michael Jai White, Louis Mandylor, Gillian White, Michael Copon |
| Gênero | Ação, Crime |
| Ano de Lançamento | 2022 |
| Produtoras | Odyssey Motion Pictures, Badhouse Studios Mexico, Jaigantic Studios |
O roteiro, escrito pelo próprio White, é onde o filme mais se destaca e, simultaneamente, mais me decepciona. A premissa é interessante, a exploração da temática da redenção é promissora, mas o desenvolvimento do enredo apresenta alguns buracos na trama e um ritmo irregular. Há momentos de grande intensidade que são seguidos por outros de estagnação narrativa. Apesar disso, a brutalidade honesta, a falta de afetação na construção dos personagens, me conquistou. Existe uma certa pureza no modo como o filme abraça sua violência e seus temas, sem pretender ser mais do que é.
Os pontos fortes são, sem dúvida, a atuação de Michael Jai White, a coreografia das lutas e a honestidade bruta da narrativa. Os pontos fracos residem na direção pouco inspirada em certos momentos, em um roteiro que, apesar de honesto, apresenta falhas estruturais e num ritmo irregular que compromete o envolvimento do espectador. A mensagem, se podemos extraí-la, é uma reflexiva sobre a busca pela redenção mesmo em meio à escuridão do passado, tema que se torna ainda mais palpável em tempos de violência crescente.
Em resumo, Treinamento Brutal não é um filme perfeito, mas é uma experiência cinematográfica visceral e impactante. Ele não se preocupa em ser politicamente correto, não busca a sutileza, ele é, simplesmente, brutal. Se você busca um filme de ação sem frescuras, com boas cenas de luta e uma performance marcante de Michael Jai White, vale a pena dar uma chance, em alguma plataforma de streaming, mesmo que você possa se deparar com alguns defeitos de roteiro e direção. Recomendo-o, sem hesitar, aos apreciadores de filmes de ação crua e sem rodeios. É um filme que vai dividir opiniões, mas que, certamente, não deixará ninguém indiferente.




