Cinquenta anos após sua estreia,em 25 de dezembro de 1975,Tubarão continua a nos assombrar. Não estou falando apenas do medo visceral que Spielberg mestre do suspense psicológico que é,mas sim da sua complexidade,que transcende o simples “filme de terror com tubarão”. É um filme que se cravou na minha memória,e provavelmente na memória de todos que o viram,não importa quantas vezes assistiram a sua saga em plataformas digitais. Afinal,quem nunca se perguntou se era seguro voltar para a água depois de experimentar a tensão implacável criada por essa obra-prima?
O filme conta a história do terror que assola a pacata cidade litorânea de Amity,em Long Island,quando um imenso tubarão branco começa uma série de ataques brutais contra banhistas. O prefeito,mais preocupado com a temporada turística e a economia do que com a segurança de seus cidadãos,tenta abafar o caso,enquanto o xerife Brody (Roy Scheider,em uma performance inegavelmente icônica) luta contra a burocracia e a descrença para proteger a população. Ele busca a ajuda do ictiologista Matt Hooper (Richard Dreyfuss,com sua inteligência perspicaz e jovem) e do pescador Quint (Robert Shaw,lendário e intenso),um homem do mar que carrega seus próprios demônios,num confronto marítimo inesquecível.
Spielberg,com sua maestria já evidente em 1975,consegue construir uma tensão crescente,quase insuportável,mesmo com a famosa falta de aparições do tubarão nos primeiros minutos. A genialidade reside na construção da atmosfera,no olhar apreensivo dos banhistas,no silêncio inquietante do mar. A espera,a antecipação,são tão eficazes quanto qualquer cena de ataque explícito,criando uma angústia que poucos filmes conseguiram replicar. Essa técnica,um mestre-curso de suspense cinematográfico,só foi possível graças à inteligente colaboração entre Spielberg e os roteiristas Carl Gottlieb e Peter Benchley (autor do livro que originou o filme),responsáveis por moldar os personagens e o ritmo,que alternam entre a tensão do suspense e a introspecção psicológica dos protagonistas.
As atuações são impecáveis. Scheider entrega um Brody vulnerável,um homem lutando contra a enormidade da situação e seu próprio medo. Shaw,como Quint,é simplesmente assustador e encantador ao mesmo tempo,um homem rude mas que nos cativa com seu conhecimento e,simultaneamente,sua autodestruição. Dreyfuss adiciona um toque de racionalidade e juventude,a contraponto da experiência bruta de Quint e da inexperiência de Brody diante de uma força da natureza tão implacável.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Steven Spielberg |
| Roteiristas | Carl Gottlieb,Peter Benchley |
| Produtores | Richard D. Zanuck,David Brown |
| Elenco Principal | Roy Scheider,Robert Shaw,Richard Dreyfuss,Lorraine Gary,Murray Hamilton |
| Gênero | Terror,Thriller,Aventura |
| Ano de Lançamento | 1975 |
| Produtoras | The Zanuck/Brown Company,Universal Pictures |
O filme não está livre de falhas. Algumas cenas de efeitos especiais,principalmente as relacionadas ao tubarão mecânico,mostram os limites da tecnologia da época,e algumas vezes tiram a credibilidade da tensão cuidadosamente construída. Mesmo assim,essas imperfeições,vistas sob a lente de hoje,contribuem para o seu próprio charme. Elas reforçam a ideia de que Tubarão não é apenas um filme,mas um marco histórico na indústria cinematográfica.
Tubarão não é simplesmente um filme de terror;ele é uma metáfora poderosa do medo do desconhecido,do poder avassalador da natureza e da luta do homem contra a sua força. É uma reflexão sobre a arrogância humana diante da natureza e sobre a dificuldade de lidar com tragédias. A cena do tubarão se aproximando do barco,por exemplo,é uma representação perturbadora da fragilidade humana face à grandiosidade assustadora do oceano.
Apesar de seus defeitos,Tubarão,mesmo em 2025,continua impactante. A sua influência no cinema de suspense e terror é inegável. Recomendo fortemente sua exibição para qualquer pessoa que aprecie um filme com direção competente,atuações brilhantes,e um suspense tão eficaz que,até hoje,nos faz olhar para o oceano com um novo olhar. Sua visualização,ainda hoje,é uma experiência inesquecível e atemporal. Ainda me pergunto,será que é seguro voltar para a água? A resposta,após assistir a esse filme,nunca será totalmente afirmativa.

