A Piscina

Publicidade
Assistir quando e onde quiser Assistir

Olha, não é todo dia que um filme me agarra pela gola da camisa e se recusa a soltar, mas A Piscina, lançado lá em setembro de 2023, fez exatamente isso. Já faz um tempo que vi, né? Mais de dois anos, pra ser exato, mas a sensação, o nó na garganta que ele deixou, ainda ecoa por aqui. E é por isso que, mesmo com a pilha de filmes novos esperando, sinto essa necessidade quase visceral de sentar e tentar colocar em palavras o que essa obra, tão brasileira e tão universal, me provocou. Não é só uma resenha; é uma tentativa de dissecar um pedaço da minha própria experiência, sabe?

A Piscina não é do tipo que te oferece respostas prontas num prato de prata. Ele te joga num mergulho profundo em águas turvas, onde cada braçada te leva a uma nova camada de segredos e tensões humanas. A premissa, embora simples na superfície – um drama de crime e mistério, como o próprio rótulo já entrega – é um labirinto psicológico que se desenrola em torno de… bem, uma piscina. E aqui, a piscina não é só um cenário bonito pra relaxar. Longe disso. Ela funciona quase como um personagem central, uma testemunha silenciosa e, ao mesmo tempo, um epicentro que atrai e reflete as sombras dos personagens. É um espelho que distorce, um abismo que esconde.

A dupla de diretores, Caíque Rodrigues e Tainá Saneshima, que também protagonizam o filme, merece uma menção especial. Essa sobreposição de funções não é novidade no cinema, mas aqui ela adquire um peso particular. Você sente que eles não estão apenas interpretando; eles estão vivendo e respirando a história, cada fibra do enredo parece ter sido tecida por suas próprias mãos e corações. O Kaik Humberto de Caíque Rodrigues é uma performance que se constrói em silêncios, em olhares que carregam anos de peso. Você o vê ali, respirando pesado, as mãos talvez tremendo um pouco quando ninguém está olhando, e entende que ele é um poço de angústias não resolvidas. Clara Albuquerque, interpretada por Tainá Saneshima, por sua vez, é essa força que parece tentar manter tudo em pé, mas a cada cena, a rachadura na sua armadura fica mais evidente. É fascinante ver como esses dois, com suas atuações carregadas, dão vida a uma trama que poderia facilmente descambar para o exagero, mas se mantém ancorada na realidade crua dos sentimentos humanos.

E o elenco de apoio? Ah, o elenco de apoio. Paulo Andrade como Oluap entrega uma performance que beira o perturbador, com um carisma distorcido que te faz questionar as intenções de cada sorriso. Emily Saito, como Teodora Santos, é a personificação da resiliência testada ao limite, e a forma como ela usa a linguagem corporal para expressar o desespero sem dizer uma palavra é de tirar o fôlego. E Clotildes de Contábeis, interpretada por Fernanda Fernandes, surge como um alívio cômico, sim, mas um alívio que, no fundo, só ressalta a escuridão ao redor. Cada personagem, cada nuances de suas interações, te faz questionar o que é verdade e o que é pura fachada. Quem é o lobo e quem é a ovelha? Ou, será que somos todos um pouco dos dois, dependendo da luz que nos atinge?

Atributo Detalhe
Diretores Caíque Rodrigues, Tainá Saneshima
Elenco Principal Caíque Rodrigues, Tainá Saneshima, Paulo Andrade, Emily Saito, Fernanda Fernandes
Gênero Drama, Crime, Mistério
Ano de Lançamento 2023
Produtoras ARTURUS FILMS, CINE RODRADE

A ARTURUS FILMS e a CINE RODRADE, as produtoras por trás dessa joia, conseguiram criar um universo visual que é tão parte da narrativa quanto o roteiro em si. A fotografia é melancólica, com tons que parecem sugar a alegria do ambiente, reforçando a atmosfera de mistério e desconfiança. As cenas noturnas, em particular, são um espetáculo à parte, com a luz da lua ou de postes distantes brincando com as sombras na água da piscina, criando uma dança de revelações e ocultamentos. É quase como se o próprio cenário estivesse conspirando contra os personagens, ou talvez, refletindo suas almas inquietas.

O filme não segue a rota comum de muitos thrillers que buscam sustos baratos ou reviravoltas mirabolantes a cada cinco minutos. Não. A Piscina é mais um rio lento, com correntezas que você só sente quando já está sendo levado. A cada cena, a cada diálogo, por mais trivial que pareça, você percebe que uma nova peça do quebra-cabeça está sendo colocada. E o mais interessante é que muitas dessas peças não se encaixam perfeitamente. Elas deixam espaços, ambiguidades que te forçam a preencher as lacunas com suas próprias interpretações, suas próprias suspeitas. A vida real, afinal, é assim, cheia de pontas soltas e de verdades que nunca são totalmente reveladas.

Então, sim, se você ainda não viu A Piscina, e se está procurando algo que vá além do entretenimento passageiro, algo que te convide a pensar, a sentir e a se perder um pouco nas complexidades da psique humana, eu diria pra você procurar. É um filme que, mesmo depois de todo esse tempo, ainda me faz revisitar seus personagens, suas motivações e, principalmente, a estranha e cativante sensação que ele deixou. É um daqueles trabalhos que te lembra que o cinema brasileiro tem uma força e uma profundidade que poucas vezes vemos por aí. E essa, meus amigos, é uma piscina que vale a pena mergulhar.

Publicidade

Ofertas Imperdíveis na Shopee

Que tal uma pausa? Confira as melhores ofertas do dia na Shopee!

Aproveite cupons de desconto e frete grátis* em milhares de produtos. (*Consulte as condições no site).

Ver Ofertas na Shopee