Até o Amanhecer: Uma Noite de Terror Que Assombra e Decepciona
Bem, pessoal, a espera acabou. “Até o Amanhecer: Noite de Terror” chegou aos cinemas brasileiros em 24 de abril de 2025, e, como alguém que vive e respira cinema de terror, eu senti na pele – e na alma – a responsabilidade de assisti-lo e compartilhar minhas impressões. A adaptação do aclamado jogo PlayStation prometeu uma experiência visceral, um mergulho em um looping temporal sangrento e cheio de suspense. Cumpriu? Parcialmente, diria eu.
A trama acompanha Clover e seus amigos em uma noite fatídica em um centro de visitantes abandonado. Um assassino mascarado os persegue, culminando em uma série de mortes brutais. Mas aí vem o gancho: eles acordam repetidamente no início da noite, condenados a reviver o horror, enfrentando escolhas que mudam – ou não – o destino de cada um. É uma premissa intrigante, uma receita perfeita para um filme de terror que brinca com a tensão e o medo do desconhecido.
David F. Sandberg, diretor conhecido por seu trabalho em “Annabelle: A Criação do Mal”, demonstra maestria na construção da atmosfera. A fotografia é impecável, criando uma tensão palpável que nos acompanha desde o início até o perturbador clímax. Os cenários escuros e claustrofóbicos do centro de visitantes amplificam a sensação de perigo iminente, e o uso estratégico da trilha sonora contribui para a imersão. Entretanto, o roteiro, assinado por Blair Butler e Gary Dauberman, é onde o filme tropeça.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | David F. Sandberg |
| Roteiristas | Blair Butler, Gary Dauberman |
| Produtores | Roy Lee, Lotta Losten, Asad Qizilbash, Gary Dauberman, David F. Sandberg, Carter Swan, Mia Maniscalco |
| Elenco Principal | Ella Rubin, Maia Mitchell, Peter Stormare, Michael Cimino, Odessa A'zion |
| Gênero | Terror, Mistério |
| Ano de Lançamento | 2025 |
| Produtoras | PlayStation Productions, Coin Operated, Mångata, Vertigo Entertainment, Screen Gems, TSG Entertainment |
A adaptação sofre com o peso da herança do jogo. Ao tentar encaixar todos os elementos e personagens, o filme se perde em uma trama confusa e apressada. O desenvolvimento dos personagens, com exceção talvez de Clover, interpretada por uma competente Ella Rubin, é superficial, prejudicando o impacto emocional das mortes subsequentes. Maia Mitchell, Michael Cimino e Odessa A”zion fazem o que podem, mas o roteiro não lhes dá o espaço necessário para brilhar. Peter Stormare, como Dr. Alan Hill, entrega uma atuação sólida, adicionando um toque de mistério à trama, porém sua participação poderia ter sido melhor explorada.
Os pontos altos são inegáveis: as mortes são criativas e brutais, dignas de um slasher de respeito. O filme não poupa o público, entregando momentos de puro terror gore que certamente agradarão aos fãs do gênero. A exploração do looping temporal e o conceito do “efeito borboleta” são interessantes, mas a execução deixa a desejar, com algumas reviravoltas previsíveis e um final que, apesar de entregar uma conclusão, deixa a desejar em impacto.
O filme também explora temas interessantes sobre o peso das escolhas, arrependimentos, a culpa e a amizade, porém, esses temas ficam subdesenvolvidos, perdendo-se na ânsia de apresentar mortes elaboradas e sustos baratos. A utilização de elementos sobrenaturais, como o Wendigo, poderia ter sido explorada com maior profundidade, elevando o filme a um patamar de terror psicológico mais impactante.
No fim das contas, “Até o Amanhecer: Noite de Terror” é uma experiência cinematográfica mista. Ele funciona como um thriller eficiente, com ótimos momentos de suspense e cenas de ação bem coreografadas, mas se perde no roteiro apressado e na superficialidade dos personagens. É um filme que agrada aos olhos, mas decepciona em sua substância.
Se você está procurando um filme de terror com ótimos efeitos visuais e mortes criativas, vale a pena conferir, mas não espere uma obra-prima. Para aqueles que buscam uma narrativa mais profunda e personagens mais complexos, talvez seja melhor procurar por outras opções nas plataformas de streaming. Minha recomendação? Assista com cautela, e não se decepcione se ele não corresponder às altas expectativas geradas pelo game original. Afinal, nem sempre uma adaptação consegue capturar a magia da obra original.




