Velozes & Furiosos 9: Família, Frustrações e Foguetes
Quatro anos se passaram desde que Dom Toretto e sua turma nos deixaram naquela montanha-russa de adrenalina que foi Velozes & Furiosos 9. E, acreditem, o tempo não apaga a memória daquela experiência, para o bem ou para o mal. Devo confessar: minha relação com essa franquia sempre foi… complicada. Adoro a energia, a família improvável, as cenas de ação que desafiam a gravidade (e a física, francamente). Mas também reconheço a crescente tendência para o absurdo, o exagero que beira o caricato. F9, como carinhosamente (ou talvez sarcásticamente) o apelidamos, é um perfeito microcosmo dessa dualidade.
A sinopse, como vocês já sabem, gira em torno de Dom e sua família – que agora inclui até um carro voador, eu preciso dizer? – enfrentando Jakob Toretto (John Cena, surpreendentemente contido), o irmão que ele nunca soube que tinha, um assassino profissional que se uniu à implacável Cipher. Essa trama familiar, recheada de traições, revelações e reconciliações dignas de uma novela mexicana com carros tunados, é o motor narrativo do filme.
Justin Lin, que retorna à direção após a saída estratégica de F. Gary Gray, parece mais preocupado em entregar a dose máxima de adrenalina do que em criar uma narrativa coesa. A direção é competente, sem dúvida, entregando sequências de ação frenéticas e visualmente impressionantes. Mas o roteiro, co-escrito pelo próprio Lin, tropeça em sua própria ambição. A trama se perde em subplots confusos, personagens esquecíveis e uma vontade inabalável de sempre ultrapassar os limites da credibilidade. Os carros voam, os carros sobem paredes, os carros… enfim, vocês entendem.
| Atributo | Detalhe |
|---|---|
| Diretor | Justin Lin |
| Roteiristas | Justin Lin, Daniel Casey |
| Produtores | Neal H. Moritz, Clayton Townsend, Justin Lin, Joe Roth, Vin Diesel, Jeff Kirschenbaum, Samantha Vincent |
| Elenco Principal | Vin Diesel, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Ludacris, John Cena |
| Gênero | Ação, Aventura, Crime |
| Ano de Lançamento | 2021 |
| Produtoras | Original Film, One Race, Perfect Storm Entertainment, Universal Pictures, Roth-Kirschenbaum Films |
E as atuações? Vin Diesel continua a ser Vin Diesel, uma força da natureza inexpressiva mas carismática. Michelle Rodriguez, como sempre, é a verdadeira força motriz, trazendo uma dose de realismo e raiva necessária à narrativa. Tyrese Gibson e Ludacris oferecem o alívio cômico, às vezes eficiente, às vezes cansativo. John Cena surpreende com uma performance mais sutil do que eu esperava, dando profundidade a um personagem que poderia ter sido facilmente unidimensional.
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Pontos Fortes e Fracos: Uma Equação Explosiva
O maior trunfo de F9 é, sem dúvida, a sequência de ação. Lin e sua equipe de efeitos visuais criam momentos de puro espetáculo, que prendem a atenção mesmo quando a história tropeça. A coreografia das cenas de perseguição é impressionante, com uma energia contagiante que raramente se vê em outros filmes de ação.
Por outro lado, o roteiro é o calcanhar de Aquiles do filme. A construção dos personagens, especialmente os novos, é superficial, e os diálogos frequentemente soam artificiais e forçados. O foco desequilibrado em ações espetaculares, em detrimento de um desenvolvimento narrativo mais robusto, resulta numa experiência cinematográfica excitante, mas sem muita substância. A trama familiar, tema central, fica relegada a segundo plano, sendo utilizada mais como um pretexto para as cenas de ação do que como um motor narrativo profundo.
Família, Lealdade e… Muito Barulho
O tema central da família, tão explorado na franquia, continua presente, mas soa repetitivo e pouco explorado em sua profundidade. A relação conturbada entre Dom e Jakob é uma oportunidade interessante, mas o filme se contenta em explorar superficialmente os conflitos, priorizando o espetáculo em detrimento do drama. Há uma clara mensagem sobre a importância dos laços familiares, mas ela se perde no meio de explosões, carros em chamas e atores que parecem estar interpretando seus papéis em piloto automático.
Conclusão: Divertido, Mas Sem Profundidade
Velozes & Furiosos 9, visto hoje em 2025, se mantém como um exemplo marcante de entretenimento de ação puro e simples. É um filme que abraça o absurdo com uma irreverência quase admirável. Mas, ao mesmo tempo, é uma obra que carece de uma profundidade narrativa que poderia elevar a experiência a um patamar superior. Se você busca pura adrenalina, cenas de ação grandiosas e uma história leve e despretensiosa, você provavelmente vai se divertir. Se você procura uma trama complexa, personagens ricos em desenvolvimento e uma narrativa inteligente, procure outro filme. Recomendaria? Sim, mas com ressalvas. É um filme para ser apreciado com um certo desapego intelectual, permitindo-se ser levado pela onda de adrenalina sem se prender muito às falhas da narrativa. No final, é um filme tão veloz e furioso quanto o seu nome sugere. E, para mim, isso é quase o suficiente.




