Venom: Tempo de Carnificina

Venom: Tempo de Carnificina – Uma Ode ao Caos Controlado (ou não?)

Quatro anos se passaram desde que Eddie Brock e seu simbionte Venom nos apresentaram a um universo de possibilidades viscosas e hilariantes. Em 2021, Venom: Tempo de Carnificina chegou aos cinemas, prometendo mais do mesmo, mas com um tempero extra de insanidade. E, bom, ele cumpriu a promessa, com alguns desvios no caminho. O filme, em resumo, acompanha a relação conturbada, para dizer o mínimo, entre Eddie Brock, um jornalista em busca da grande notícia, e Venom, o alienígena grudento e falador que o habita. Quando Eddie entrevista Cletus Kasady, um psicopata no corredor da morte, ele inadvertidamente solta um monstro ainda pior: Carnificina. A partir daí, é uma corrida contra o tempo para impedir a destruição da cidade e lidar com as próprias inseguranças de uma dupla extremamente disfuncional.

A direção de Andy Serkis, normalmente impecável em seus trabalhos de captura de movimento, me deixou um pouco dividido em “Tempo de Carnificina”. Há momentos de real brilhantismo visual, principalmente nas cenas de ação que exploram o potencial físico dos simbiontes. A fluidez dos movimentos de Venom e Carnificina é realmente impressionante. Porém, em outros momentos, senti falta de uma coerência estilística mais forte. O tom oscila entre o humor negro, o terror visceral e o drama romântico de forma um tanto irregular, o que, em alguns momentos, compromete a imersão.

O roteiro, assinado por Kelly Marcel, apresenta algumas reviravoltas interessantes na narrativa, principalmente na construção da relação entre Cletus e Carnificina, explorando um lado mais sombrio e perturbador do que vimos nos quadrinhos. A construção do vilão, aliás, é um dos pontos altos do filme. Woody Harrelson entrega uma performance brutalmente eficaz como Cletus Kasady, incorporando a loucura e a crueldade do personagem com uma energia contagiante. Já Tom Hardy, como sempre, se entrega de corpo e alma ao papel de Eddie Brock, numa atuação física e emocionalmente exigente, que demonstra uma ótima química com o simbionte. Michelle Williams, por outro lado, apesar de esforçada, fica presa num papel secundário, subutilizada em comparação ao potencial da personagem nos quadrinhos.

Atributo Detalhe
Diretor Andy Serkis
Roteirista Kelly Marcel
Produtores Tom Hardy, Kelly Marcel, Matt Tolmach, Avi Arad, Amy Pascal, Hutch Parker
Elenco Principal Tom Hardy, Woody Harrelson, Michelle Williams, Naomie Harris, Reid Scott
Gênero Ficção científica, Ação, Aventura
Ano de Lançamento 2021
Produtoras Columbia Pictures, Pascal Pictures, Matt Tolmach Productions, Arad Productions

Um dos pontos fortes do longa é, sem dúvidas, o espetáculo visual. As cenas de ação são frenéticas e criativas, explorando o lado grotesco e visceral dos simbiontes de uma forma eficiente. A trilha sonora também merece destaque, intensificando a atmosfera de tensão e caos. Porém, a trama peca em alguns pontos. O ritmo, apesar de frenético em alguns momentos, se torna arrastado em outros. E, apesar da violência gráfica, alguns momentos de humor, que poderiam ser certeiros, acabam soando forçados ou deslocados.

O filme explora temas como dualidade, a busca pela identidade, e o confronto entre o bem e o mal, porém, não aprofunda muito esses temas. A mensagem principal, se existe uma, é uma celebração do caos e da aceitação da própria estranheza – algo que pode agradar ou desagradar, dependendo da sensibilidade do espectador. A recepção do filme em 2021 foi bastante variada, com alguns elogiando a performance de Hardy e Harrelson, enquanto outros criticaram o roteiro irregular.

Em resumo, Venom: Tempo de Carnificina é uma experiência cinematográfica divertida e visualmente impressionante, mas com seus problemas. É um filme que sabe divertir e entregar ação frenética, mas que carece de uma profundidade temática mais consistente. Se você busca um filme de ação com doses generosas de humor negro e personagens carismáticos, então vale a pena conferir. No entanto, não espere uma obra-prima cinematográfica. A experiência pós-créditos, aliás, é imperdível para os fãs da Sony’s Spider-Man Universe. Para mim, “Tempo de Carnificina” cumpre seu papel como um entretenimento palatável, mas sem deixar uma marca tão profunda quanto seu antecessor. Recomendo-o com reservas, principalmente para aqueles que já apreciaram o primeiro filme e estão em busca de mais desse universo singular.

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